O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.” Roland Barthes (citado por Socorro Accioly em O Amor É Inadiável)
A LEGENDA – Era um Sábado, 15 de Agosto, antevéspera de meu níver (ou, melhor dizendo, de meu cumpleaños, como dizem nossos camaradas latinoamericanos), e estivemos reunidos no @elegia.cafe pra celebrar a boa música e os encontros joviais: yo (educarlidemoraes) c/ Gi @gtoassa, Ju @marra_juliana, Cris @cristi.lemos, Henrique, Gonzalo @gonzalomarinoviedo123 & Carmen @carmenbarraganruiz.
O violonista holandês Tim Kliphuis, acompanhado pela Gypsy Jazz Club de Brasília, mandavam brasa nas músicas de Django Reinhardt e Stephane Grapelli. Apaguei as velhinhas com os números 42 sentindo uma autêntica gratidão por estar vivo e ativo, apesar de todas as ansiedades e fraturas, inseguranças e cansaços, seguindo a aventura de ser isto: ser vivo transitivo, conectível, embarcado na correnteza cósmica em que tudo flui, eu e vocês incluídos, transeuntes do universo, fluentes na natureza irrequieta.

UMA REFLEXÃO – Aniversariar envolve sempre e necessariamente um parar-pra-pensar no Tempo, aquela entidade que passa sem voltar, mais “rei” que qualquer mané que veste coroa de ouro, mais poderosa do que qualquer trilionário megalomaníaco. O Tempo é quem manda, a gente obedece. Sabedoria só se extrai dele, voejando nele como as abelhas num jardim, sugantes de néctar que o tempo espraiou pelo planeta.
Apesar das teses do Eterno Retorno que circulam, via Nietzsche, Ouroboros ou outras cosmovisões cíclicas, sou um cazuzista que repete o refrão “o tempo não pára” e que complementa com… “nem volta”. Aquele corvo de Poe grasna sem parar na minha consciência e no meu mundo onírico aquele refrão bittersweet, “nevermore!”
Os instantes são todos irrepetíveis, mas nem todos são preciosos. Estes que as fotos captam são isto: momentos impossíveis de repetir existencialmente, mas que deixaram um rastro em imagens que, futuro adentro, conservarão seu poder de evocação do que passou mas ainda ressoa. A função mais importante da fotografia, matuto eu cá “com meus botões de carne-e-osso”, é salvar algo dos instantes a um só tempo irrepetíveis e preciosos.
Sem isto, estes instantes correriam o risco de afundar para sempre no esquecimento, ainda mais se não forem narrados. Sem o dispositivo técnico que consiste em grafar a luz, eles estariam plenamente perdidos em sua sensorialidade, em suas cores, suas luzes, suas roupas, seus objetos materiais, e sobretudo nas expressões e gestos corporais daqueles ali retratados, ali “congelados” no mini-milagre do instante pereniza, subtraído ao fluxo, “mumificado” em imagem estática.
Eu costumo chamar aniversários de “marcos de translação” – cada níver é uma roda completa ao redor do sol com o nascimento tomado como marco zero. E são os convívios, sobretudo, o elemento mais determinante para nosso juízo: este ano valeu a pena ou foi desperdiçado? É só no convívio que o tempo vivido faz sentido, caso seja algo que nutre e ampara, ou soçobra no nonsense, caso se mostre o reino do isolamento ou da discórdia.
Já viajei muito, mas quero terminar confessando que bato-papo como robôs que aprendem, como muitos doidões do capitalismo tardio, e fui lá e perguntei pra I.A. do Deep Seek:
-Se eu completei 42 anos, quantos km já viajei na Terra em órbita ao redor do Sol?
Que bela forma de ver a vida, celebrar cada “marco de translação”! Para um viajante de 42 anos, a conta é grandiosa.
Em números, a distância percorrida é de aproximadamente 39,5 bilhões de quilômetros.
Aqui está o cálculo:
- A distância de uma volta: A Terra viaja cerca de 940 milhões de quilômetros para completar uma órbita ao redor do Sol.
- A distância total: Multiplicando essa distância pelos seus 42 anos de viagem:
- 940.000.000 km/ano × 42 anos = 39.480.000.000 km
Para colocar esse número em perspectiva, essa distância é cerca de 260 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Viajando na velocidade da luz (300.000 km/s), você levaria mais de 36 horas para percorrer todo esse caminho.
Parabéns pela sua jornada! São 42 voltas completas em torno da nossa estrela, um marco e tanto. 🌍☀️
Que espanto estar vivo junto com vocês, pessoal, enquanto viajamos milhões de quilômetros no salão de danças do cosmos imenso.



Publicado em: 23/08/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
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